Soja: produtor é orientado a vender com cautela
Tensão geopolítica segue no radar da soja
Foto: USDA
A análise "Direto do Campo", da Grainsights produzida pela Grão Direto nesta segunda-feira (8), aponta que o principal fator de influência sobre o mercado internacional da soja nesta semana será a divulgação do relatório de Progresso de Safra (Crop Progress) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Com o plantio praticamente concluído e avançando acima da média histórica no país, os agentes de mercado devem concentrar atenção nas avaliações das lavouras recém-emergidas, especialmente nos índices classificados como “Bom” e “Excelente”. Segundo a análise, “o mercado de Chicago passará a precificar de forma cirúrgica as notas de condição das lavouras recém-emergidas”.
O comportamento do clima nos Estados Unidos também deve ganhar protagonismo na formação dos preços da soja na Bolsa de Chicago. De acordo com a Grainsights, os mapas meteorológicos indicam volumes elevados de chuva e excesso de umidade em áreas importantes do Corn Belt, o cinturão agrícola norte-americano. A consultoria destaca que, caso as precipitações comprometam a qualidade das lavouras ou prejudiquem as plantas recém-germinadas, os fundos especulativos poderão rever posições vendidas, impulsionando movimentos de alta. “Caso essas precipitações intensas ameacem a qualidade ou afoguem as plantas recém-germinadas, os fundos especulativos poderão iniciar uma rápida cobertura de posições vendidas, gerando ralis altistas na CBOT”, informa o relatório.
No Brasil, as atenções estão voltadas para o avanço das massas de ar polar sobre a região Sul. Embora a colheita da soja já tenha sido concluída, a análise alerta para os impactos da alta umidade sobre a armazenagem dos grãos. Segundo a Grainsights, o risco de geadas e temperaturas próximas de zero em áreas de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul exige cuidados adicionais na conservação da produção. “A infraestrutura de armazenagem enfrentará um teste crítico com a alta umidade, exigindo aeração e controle rigoroso para evitar o surgimento de grãos ardidos nos silos”, ressalta o documento.
O cenário geopolítico também permanece no radar do mercado. A manutenção do cessar-fogo de 60 dias entre Estados Unidos e Irã é acompanhada de perto pelas tradings internacionais, diante da importância estratégica do Estreito de Ormuz para o transporte global de petróleo e cargas. Conforme a análise, qualquer interrupção do acordo poderá gerar impactos imediatos nos custos logísticos. “Qualquer quebra desse acordo e retomada de apreensões de navios no Estreito de Ormuz poderá gerar um novo choque nos preços do petróleo e dos fretes marítimos”, destaca a Grainsights.
As discussões sobre a política energética brasileira também seguem influenciando as perspectivas para o complexo soja. A expectativa de aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel fóssil de 15% para 16% foi adiada após o cancelamento da reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Segundo a análise, a mudança, que agora deve ficar para 2027, reduz a expectativa de crescimento imediato da demanda doméstica por óleo de soja. “O aguardado aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel fóssil de 15% para 16% (B16) teve sua reunião do CNPE cancelada e deve ser adiado para 2027”, informa o relatório.
Diante desse cenário, marcado pela grande oferta brasileira, juros elevados, prêmios portuários pressionados e oscilações no mercado internacional, a recomendação é de cautela na comercialização. Conforme a Grainsights, o produtor deve aproveitar momentos de valorização cambial para avançar nas vendas. “A recomendação é que o produtor utilize ativamente as plataformas de inteligência e realize vendas cadenciadas exclusivamente nos dias de estresse cambial, aproveitando os picos do dólar para garantir liquidez”, conclui a análise.